Educação no século 21: Muito tem que mudar.

14 jun

“É fácil educar para a rotina, e difícil educar para as novidades”. ~Jonathan Rosenberg, VP de gestão de produtos da Google inc.

Aprender é nunca estar satisfeito com o que se sabe. Um amigo me disse uma vez. Eu não discordo, pessoas inconformadas são normalmente pessoas inquietas e estão sempre em busca de algo. Talvez o combustível do conhecimento em grande parte seja realmente a indignação.

A ideia desse post me veio exatamente as 20:05 de uma quinta feira, no meio de uma aula de Planejamento Financeiro na Pós Graduação. Naquele momento o professor explicava sobre como construir uma planilha de gastos e projeções mensais de uma empresa. Entre diversos cálculos e termos técnicos minha atenção não se sustentou. Liguei o notebook e fui para internet. Eu não estava interessado naquilo. Alias, sendo brutalmente honesto, aquilo era inútil pra mim. Dando uma rápida olhadela pela sala, percebi que não estava sozinho. Dessa maneira mais uma vez me surgiu, como tantas vezes durante a graduação, a seguinte indagação:

Não está na hora das instituições de ensino e seus docentes perceberem que o mundo mudou, e que a forma como se educa precisa mudar também? 

Voltando ao começo do post, eu me considero um daqueles eternos insatisfeitos. Eu realmente gosto de saber um pouco de tudo, e apesar de ter opinião formada sobre uma grande gama de assuntos, eu sempre anseio por novas perspectivas e informações. Em resumo, acredito que todo o conhecimento é valido.

Contudo estamos na era da informação. Dados não são mais um luxo, são matéria prima. Dando um passo a frente, estamos chegando em um ponto que todo e qualquer tipo de “know how” técnico se encontra grátis na Web.

A pós que faço é um MBA em Marketing digital. Por ser um MBA é fato que disciplinas de gestão são ministradas, e entre elas existem algumas que não batem com a minha formação em Relações Públicas, como a de planejamento financeiro por exemplo. Tudo bem, isso é natural. No entanto, não é a matéria em si que desestimula, mas sim o seu método de ensino e conteúdo escolhido: Quatro aulas seguidas, em método expositivo sobre como criar um fluxo de caixa com exercício no final.

Tem de haver um jeito melhor de ensinar, não concorda?

É fundamental que a educação saia da mentalidade que Silvio Meira apontou em sua palestra no TEDx São paulo, na qual a ideia é ensinar “tudo” (sem grande triagem) antecipando que no futuro o aluno possa precisar da informação. Esse modo de educar se faz ultrapassado pois como já foi dito acima, informação não é mais complicada de se obter.

Jeff Jarvis, em seu livro “O que a Google faria?” indagou “por que ainda estamos ensinando os alunos a decorarem fatos, se os fatos estão disponíveis por meio de busca?A memorização não é uma disciplina tão vital quanto saciar a curiosidade…”. 

Entenda que eu não estou dizendo que a internet tornou o ensino obsoleto. Pelo contrário, mais do que nunca se faz necessário a figura do professor. Mas não aquela figura tradicional, de tabuada e chamada oral surpresa. Ou aquela universitária, de lista de exercícios, bibliografia obrigatória e mentalidade “se vira” em relação ao aluno.

Hoje precisamos de um guia, alguém que estimule a busca pelo conhecimento, e não nos entupa apenas de informações e técnicas. Alguém que nos ajude a sobreviver nessa realidade digital, nos ensinando raciocínio critico, fomentando capacidade analítica, criatividade e atitude empírica.

O aprendizado atual precisa ser contínuo. É imprescindível incutir no aluno a importância de ser autodidata, e educá-lo para tanto. Dentro de um contexto de abundância de informação, ensinar o estudante a navegar em busca do conhecimento é mais essencial que lhe dar o conhecimento. Mesmo por que, o conhecimento nunca foi tão efêmero como em tempos atuais.

Ainda estamos sendo educados para um mundo de economia lenta, processos bem definidos, organogramas estáticos, hierárquico e dogmático, quando deveríamos estar sendo preparados para um mundo de economia rápida, processos indefinidos e mutáveis, organogramas cíclicos, coletivo e pragmático.

Em suma, estamos sendo ensinados para a rotina e a passividade. A primeira é uma ilusão do século passado. A segunda deve ser substituída por aquela sensação de inquietação/insatisfação/indignação que vem com o aprendizado constante.

Ensina-me a pensar!

Não concorda?

____________________________________________________________________

Vale a pena pesquisar:

Blog do Jeff Jarvis: http://www.buzzmachine.com/

O que a Google faria?: http://www.submarino.com.br/produto/1/21603317/que+a+google+faria,+o

Silvio Meira: http://twitter.com/#!/srlm

TEDx São Paulo: http://www.tedxsaopaulo.com.br

Apresentação do Silvio Meira na TEDx: http://www.tedxsaopaulo.com.br/silvio-meira/

Uma resposta to “Educação no século 21: Muito tem que mudar.”

Trackbacks/Pingbacks

  1. O sonho brasileiro: Perspectivas jovens de um Brasil melhor « Possibilidades Infinitas - 29/06/2011

    […] Mais sobre educação?Leia meu post anterior sobre como ensinar no século 21. […]

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: