Creative Commons: A licença do futuro.

3 jun

Livrem-se das velhas categorias do negativo (a lei, o limite, as castrações, a falta, a lacuna) que por tanto tempo o pensamento ocidental considerou sagradas, como forma de poder e modo de acesso à realidade. Prefiram o que é positivo e múltiplo, a diferença à uniformidade, os fluxos às unidades, os agenciamentos móveis aos sistemas”. ~Michel Foucault, filósofo francês. 

Nessa última quinta feira (dia 02/06) fui saudado logo cedo pela manhã com a ótima notícia de que o Youtube vai incorporar a licença Creative Commons para os vídeos carregados no site. Fazendo isso, a Google abre espaço para que os filmes compartilhados sobre essa licença no youtube possam ser copiados, remixados ou reeditados sem que as pessoas que o façam corram riscos de processos judiciais. É necessário obviamente citar a fonte original.

Legal, ninguém quer tomar processo simplesmente por copiar um vídeo ou fazer uma sátira qualquer dele. Mas na real: Alguém ai sabe de alguém que tomou um processo por ter feito algo do gênero?

Pois é nem eu.

Ok André, então o que essa ação da Google muda nas nossas vidas, e porque eu deveria me importar?

Meu querido leitor, talvez nesse momento essa seja simplesmente uma medida “pra inglês ver”. O consenso geral é que na internet “nós não vamo paga nada, é tudo free”, e vale tudo nesse espaço virtual sem dono.

Contudo isso está começando a mudar. Para citar um exemplo, a nova “Lei dos direitos autorais do milênio digital” criada nos EUA esse ano, já começou a tirar sites que disponibilizam conteúdo sem a permissão de seus detentores. Diversos portais de Stream de filmes e séries grátis, assim como música e outras mídias já cairam.

A imagem que aparece quando o site é retirado pela lei.

Quer mais?Que tal um exemplo mais perto de casa: você lembra do portal Brazil Series, que tinha milhões de seriados pra download?Em julho do ano passado (2010) o casal que administrava o site foi preso em São José dos Campos, pelo crime de violação dos direitos autorais.

É galera, o nosso “almoço grátis” esta acabando. A rede mundial de computadores começou a ser regularizada. E não, eu não curto isso. Eu entendo que lei é lei, mas se a indústria fonoaudiográfica está tendo problemas com a internet então está na hora dela mudar sua mentalidade e maneira de trabalhar, pois a Web veio para ficar. Porém isso é uma discussão pra outro post.

Voltando ao nosso tema principal, nas palavras do próprio site da Creative Commons Brasil:

O Creative Commons é um projeto global, presente em mais de 40 países, que cria um novo modelo de gestão dos direitos autorais. No Brasil, ele é coordenado pela Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas no Rio de Janeiro. Ele permite que autores e criadores de conteúdo, como músicos, cineastas, escritores, fotógrafos, blogueiros, jornalistas e outros, possam permitir alguns usos dos seus trabalhos por parte da sociedade. Assim, se eu sou um criador intelectual, e desejo que a minha obra seja livremente circulada pela Internet, posso optar por licenciar o meu trabalho escolhendo alguma das licenças do Creative Commons. Com isso, qualquer pessoa, em qualquer país, vai saber claramente que possui o direito de utilizar a obra, de acordo com a licença escolhida.

Talvez a grande discussão legal dos nossos tempos acontece em torno dos direitos a privacidade, autoria e questões de posse sobre conteúdo e sua disseminação. A internet escancarou tudo e acabou com a política do “cada um no seu quadrado”. Mais do que ir contra questões legais, ela provocou uma mudança de mentalidade nas pessoas.

Se perguntassem a sua mãe quando ela era jovem se ela gostaria de colocar o conteúdo do seu diário a disposição para que todos lessem, e ainda com espaço aberto para comentários, ela responderia um sólido “claro que não”. Mas não é isso exatamente que fazemos hoje nas nossas redes sociais e blogs da vida?

Creative Commons representa a mentalidade do novo milênio, de exposição, troca e criação colaborativa. Claro que ninguém quer outras pessoas levando crédito pelo seu trabalho, roubando suas ideias ou subvertendo-as. Mas a ideia de posse mudou. Evoluiu. Se tornou coletiva.

Portanto suporte iniciativas como a Creative Commons. A Internet só é realmente útil quando está aberta a todos, sem restrições e com Infinitas Possibilidades. Se não ela virá apenas uma televisão.

E deus me livre, que isso nunca aconteça! ___________________________________________________________________________

Vale a pena pesquisar:

Reportagem do Gizmodo sobre a prisão do casal do site Brazil Series: http://www.gizmodo.com.br/conteudo/administradores-de-site-para-download-de-series-podem-pegar-ate-4-anos-de-reclusao-por-pirataria/

Portal da Creative Commons: http://www.creativecommons.org.br/

Lei dos direitos autorais do milênio digital: http://pt.wikipedia.org/wiki/Digital_Millennium_Copyright_Act

Michel Foucault: http://pt.wikipedia.org/wiki/Michel_Foucault

Você já leu o Manifesto?Leia e entenda a proposta desse blog.

Uma resposta to “Creative Commons: A licença do futuro.”

Trackbacks/Pingbacks

  1. O sonho brasileiro: Perspectivas jovens de um Brasil melhor « Possibilidades Infinitas - 29/06/2011

    […] Mais sobre propriedade coletiva?Leia meu post sobre Creative Commons. […]

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