Marcha da Liberdade: Como criar um debate a nível nacional.

30 maio

“Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir.” ~George Orwell, escritor e jornalista inglês.

Último sábado (28/05), ocorreu em São Paulo capital a Marcha pela Liberdade, evento realizado em nome da liberdade de expressão. Apesar de taxada por muitas das autoridades como uma simples continuação da conturbada marcha da maconha que também se deu em Sampa semana passada (21/05), esta ocorreu sem grandes incidentes e reuniu manifestantes de diversos movimentos sociais.

Pra começar, isso não é um texto sobre a legalização da maconha. Sim, eu vou falar de #maconha, mas só como ilustração para o tema do post. Minha opinião sobre o assunto vai ficar na gaveta. Ou seja, se Planet Hemp é sua banda favorita, cultivo indoor é o termo mais buscado no seu navegador e você planeja nomear sua filha como Mary Hidrôponica Jane, sem problemas por mim. Ao mesmo tempo se consumir Cannabis não é sua praia e você prefere manter distância, tudo bem também. Aqui vocês não vão encontrar opiniões minhas nem contra nem a favor da erva, portanto fiquem a vontade.

A discussão é muito mais fundamental que essa: A liberdade de expressão como força primordial de mudança social.

Apesar de ter ocorrido, a Marcha pela Liberdade não foi autorizada pelo tribunal de justiça de São Paulo. Para o desembargador Paulo Antonio Rossi, esta seria apenas a mesma marcha da maconha com nome diferente. Ele afirmou:

“Seria a indução e instigação ao uso indevido de droga frente a uma numerosa parcela da sociedade paulistana, a despeito da decisão liminar proferida no presente mandado de segurança”.

E concluiu:

“Não se trata de reprimir o direito da livre manifestação, mas sim coibir apologia ao crime ou a eventual induzimento no uso de drogas, o que é diferente de afastar ou coibir necessárias discussões ao desenvolvimento, aperfeiçoamento e modificação das normas penais”.

Não vou adentrar nos tramites legais do assunto, não sou advogado. Indiferente da triste descaracterização do evento pelo desembargador, seu comentário levanta uma questão: Como criar um debate a nível nacional sem o apoio do estado?

Manifestar-se é um direito seu garantido pela constituição. Particularmente eu diria que é um dever. Contudo a grande verdade é que não temos muita tradição em lutarmos pelos nossos direitos. O consenso é que o brasileiro é acomodado, aceita sempre e esquece tudo depois do carnaval. Eu mesmo fiz comentarios assim no Twitter recentemente.

E ai de repente a minha juventude se reúne e decide lançar uma iniciativa, falando abertamente sobre uma questão que ninguém tem coragem e que lhes afeta diretamente: Drogas. E o que acontece?Repressão, gente apanhando na rua e a política da mordaça.

Segunda tentativa. Na seqüência do fato acima, alguns jovens se reúnem para lançar debate a favor de diversas causas que agora não afetam apenas eles mas todos os setores da sociedade, usando como tema: Liberdade. E o que acontece?Falta de apoio dos seus representantes, distanciamento do assunto e política da desinformação.

Pois é parceiro, a minha geração pode até ser como muitos dizem, alienada. Mas ela não se alienou sozinha não.

Ai é nesse momento que a Internet demonstra seu valor como invenção anárquicarevolucionaria. Onde a grande mídia toma distância, ela se torna palco para a mediação de debate e reflexão, tão necessários na nossa sociedade. Mais do que um espaço para a pornografia (40% do seu conteúdo é pornográfico, mas isso é assunto pra outro post), ela é um espaço para a democracia.

Claro que ainda tem muita besteira nela, mas não sejamos ignorantes como o companheiro aqui:

Tsc tsc tsc...

Concordo que Havainos nos TTs é tenso porém: Internet nas favelas SIM!E na roça, no pantanal, no Nordeste, pra todo mundo no Brasil!

Devemos usar a Web pra aumentar o nível de discussão, seja esta qual for:

Tudo bem, vamos falar dos possíveis males da legalização e também de tratamento para os usuários de drogas.

Valido, tabagismo é um dos grandes males a saúde da população. Mete a boca neles também!

Pô cara, então vamos falar de fome também, não precisa ser um ou outro. Só não pode querer matar o debate, como uma galerinha ai quer:

O que falar desse povo...

Portanto vamos todos nessa marcha perpétua pela nossa Liberdade. Seja na Av. Paulista ou nos meios virtuais, devemos lutar por ela.

Afinal, mesmo sendo um bem intangível, a liberdade pode ser sentida por nós em todos os momentos de nossas vidas. E a falta dela grita nas nossas almas:


Não grita na sua?

_____________________________________________________________________________

Vale a pena pesquisar:

FHC no Fantástico sobre a legalização: http://www.appledesign.com.br/noticias.php?novidade_id=1729#axzz1KCWUekpm

Video da TV Folha sobre a Marcha da Liberdade: http://www.youtube.com/watch?v=jIsJHCrbrLc

Site oficial da Marcha: http://www.marchadaliberdade.org/

George Orwell: http://pt.wikipedia.org/wiki/George_Orwell

Você já leu o Manifesto?Leia e entenda a proposta desse blog.

4 Respostas to “Marcha da Liberdade: Como criar um debate a nível nacional.”

  1. Pedrão 30/05/2011 às 14:25 #

    “Feliz é o povo que pode vaiar seu presidente sabendo que nada vai lhes acontecer” (Juscelino Kubitschek, após ser vaiado num discurso pra estudantes).

    “Eu posso não concordar com seu pensamento, mas vou lutar até a morte para que vc tenha o direito de defendê-lo” (não sei de quem é).

    Aproveitando, defendo a regulamentação da maconha, não a legalização. Venda controlada em lugares autorizados, pique Holanda.

    • pattolla 30/05/2011 às 15:02 #

      “Eu posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las” Voltaire.

      Eu ia usa-la como citação no começo do post, mas eu sou fã assumido de George Orwell xD

      E realmente, a idéia de regulamentação é muito mais abrangente e maleável que a legalização puramente dita.

  2. Vinicius Moreira 01/06/2011 às 0:14 #

    É cara…é um assunto complicado, como todos os outros abordados no post pq envolvem o sistema e o governo. E é aquela coisa: Nunca vai ser um mar de rosas enquanto o povo não for pra rua. Não sou a favor da Liberação da Maconha, pq pra mim ta aí pra fuder todo mundo como o cigarro fode também( eu sou fumante e sei disso). Pra mim esse tipo de coisa deveria ser proibida, mas partindo da mente e do raciocinio do Ser Humano. Pra mim é um absurdo o povo ir a rua pra reclamar sobre esse tema, embora não possa nem dizer povo, pq vc só vê jovens mesmo e alguns em sua maioria estão lá pra fazer baderninha. O Povo deveria ir as ruas sim pra reclamar dos Indigentes na rua passando fome e frio, o povo devia ir pra rua pra reclamar da roubalheira no Senado…mas o povo guarda o seu grito de liberdade dentro de casa, entre cochichos e reclamações contidas. Talvez o medo da ditadura ainda prevaleça.

  3. Douglas 07/06/2011 às 21:57 #

    George Orwell, so tem obra prima, principalmente 1984

    Não se tornaram conscientes enquanto nao se rebelarem, e não se rebelarão enquanto nao se tornarem conscientes (Citação do livro 1984 – George Orwell, isso e uma observação feita pelo personagem do livro ao ver o poder que a massa tem e não sabe) è meio que um parodoxo, mais torçamos pra que ele esteja errado rsrs

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: